quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

hope




Let's hope that someday I play my concertina
To an arena full of people
Or dream my life away
Dreaming of the day

https://www.youtube.com/watch?v=l4JPm7npkvQ 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ohio

Fui pra lá, voltei um pouco.

Não me canso de pensar que talvez ninguém queira saber e nem mesmo é obrigado. O twitter é bom, às vezes serve como refúgio pra minha mente solitária e entediada. Mas ninguém é obrigado. As redes sociais me deixam angustiada, às vezes. E presa. Lembrei que tenho esse refúgio aqui.

Depois de cinco anos, lembrei. Ou melhor, fui lembrada. É até interessante pensar que cultivei um relacionamento em que há lembranças sobre quem eu fui que eu mesmo já havia perdido.

Não quero ler minhas antigas postagens.

No momento, estou agarrada à uma vida eterna de trabalhos intermináveis em que não me sinto minimamente capacitada a fazer. Prefiro lavar louça. Capinar um quintal.

Desenvolvi mais a minha capacidade de dramatizar. Essa vida fui eu que escolhi, mais ninguém. Já faz tempo, mas ainda vou fazer vinte e três. Ou já?

Preciso escrever. Mas não aqui. Não sobre mim. Não descompromissadamente.

Temos nosso próprio tempo.

É tão difícil entender. É tão difícil entender?

É.






domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quanta bobagem.

Escrevi muita bobagem aqui. Mas bobagens que fizeram parte de mim, e eu tenho que admitir isso. Hoje sou mais amargurada, confesso, e não tenho nem um pouco de orgulho dessa situação. Sigo em frente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dando notícia

É difícil. Ou como está na moda falar, é tenso. De uma hora pra outra (tem algo de imperceptível nisso) deve-se encarar a dura realidade de virar "gente grande". As minhas responsabilidades deixaram de ser fechar a janela no horário da malária. Eu fazia isso na casa do meu pai, e depois disso eu podia brincar. É uma pena que eu não tinha com quem fazer isso, mas enfim. Depois já foi algo muito sério voltar pra casa de ônibus, sozinha! Eu não podia esquecer o cartão, ou o dinheiro da passagem, ou perder o ônibus. Mas se eu perdesse, poderia ligar pra minha mãe, e mesmo levando umas broncas, conseguir uma carona de volta pra casa. Andar nas ruas à noite era raro, perigoso. Dinheiro era só o da mesada, pra comprar algum lanche na escola, no recreio. As roupas apareciam lavadas e passadas em cima da cama, as compras no armário (pelo menos antigamente era assim que funcionava, risos). Nada parecia ser tão fácil como realmente era. Acontece que se hoje eu perder o ônibus, a frase certa é: se fodeu, bróder ( e a gente aprende a usar uns palavrões também). Não adianta nem começar a pensar: não tem ninguém que você possa ligar. Preciso internalizar isso algumas vezes durante a semana. Recordo de momentos em que eu sabia que tinha que me virar sozinha, mas eu ligava pra minha mãe só pra dizer que eu tava ferrada. Agora eu já aprendi (de vez em quando ainda ligo pra um certo alguém que está sempre disposto, ou mesmo não estando, me ouve mesmo assim). Se vire, você já é maior de idade. Você ganha um salário, mesmo sendo esse salário um pedaço do salário do seu pai, hehe. Administre, arrume sua roupa, faça seus trabalhos, estude, aprenda. Incrível como você sempre tem que lembrar de absolutamente tudo. Uma pequena coisa é capaz de atrapalhar o seu dia inteiro. Só quebrando a cara pra não errar mais, e ainda assim não é o suficiente. Coisas simples como esquecer uma chave ou um papel estragam tudo que você planejou. E não há escape, não adianta chorar. A variedade de coisas a se fazer é imensa (variedade imensa é pleonasmo?). Já nem me lembro das coisas que me matei de estudar pra passar no vestibular. É preciso tirar um força lá do fundo pra não querer fugir disso. E até parece que tem como. O mais engraçado é que isso é natural, ou deveria ser, afinal todo mundo passa por isso. A cidade não para à noite... ninguém tem medo de andar por aí? Todos simplesmente passaram a fazer isso, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Curioso, pra não dizer engraçado, pra não dizer triste. Gente, e se o despertador não tocar? Minha mãe não vai ficar lá fora buzinando, me esperando. Eu vou chegar atrasada, eu vou levar falta, eu vou passar o dia todo me culpando por isso. E se minha sandália arrebentar no meio da rua? Ela não vai me buscar pra gente ir ali comprar uma havaiana. Achei até engraçado esse texto, a adolescente desesperada detected. Por favor não riam nem se preocupem, eu (não) vou me adaptar. E o não entre parênteses é só pra fazer alusão àquela música que eu ouvia quando tudo era mais fácil. Mas acho que melhora. Ah, se melhora. É bom, você vai ver. É o que todos dizem. Então vai lá doidona, anda de noite, atravessa a rua sozinha, ponha o óculos escuros e finja que está tudo bem e o mundo é seu.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Eu tenho fé na força do silêncio;

Cansada de ficar calada mas com preguiça de falar. Pronto, falei.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sabe, eu gostaria de ter um avô. Aquele velhinho cheio sabedoria, calmo e sereno. Imagino que sentaria em uma poltrona com perfume de lavanda, e passaria uma boa parte do tempo lendo um livro, com os olhos apertados através do óculos com lentes bem grossas. Eu poderia, então, ter esse lugar de paz para ir, essa fonte de conversas francas, sem cobranças e preocupações. Certamente ele teria uma profissão que agora não está mais na moda, e me ensinaria os segredos para que eu contasse aos meu filhos. Ah, ele também teria um rádio antigo, e eu passaria tardes inteiras ouvindo seus discos de vinil. Poderia saber tocar acordeon, mas eu queria mesmo é que tivesse música em seu coração e em tudo que fizéssemos juntos. A sua casa teria um jardim, cultivado com muito cuidado. Cada planta para cada amor vivido. Meu avô amaria, acima de tudo, a vida e cada minuto que Deus lhe concedesse. Teria as mãos calejadas e ao mesmo tempo macias, sempre dispostas a acariciar aqueles que precisam de atenção. Enfim. Foi legal pensar em você, vovô. Descanse em paz.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fears of tears.

Nunca pensei que faria uma amizade relâmpago (literalmente) em aviões. Sempre lia essas histórias em revistas, contos, crônicas e achava que era só mais um arranjo de situações pra parecer legal. Ou sei lá, acontece mesmo, eu acho. Mas não comigo, e em um dia tão triste. Lenga-legas a parte, vamos a ela:

- Assento A é janela, né?
- É, janela.

(...)

- Tá um barulhão, né?
- É, um pouco estranho mesmo.

Atenção senhores passageiros, passaremos por um leve turbulência mais a frente. Yann Tiersen no mp4. Forte aperto na minha mão. Relâmpago. Tremedeira. Mais aperto. Coloquei minha mão gelada em cima da dela:

- Me ajuda, eu tô com medo.
- Calma, já vai passar.
- Ainda bem que você tá aqui comigo.

(...)

- Passou.
- Passou.
- Obrigada.
- De nada.


Não sei o nome dela, de verdade. Não é pra parecer mais poético nem nada. Sei que ela é casada há dois anos, dentista, uma filha, trabalha com saúde indígena, viaja uma vez por mês. Me deu um abraço e desejou boa sorte no vestibular. Ainda bem que você tá aqui comigo.