domingo, 13 de fevereiro de 2011

Quanta bobagem.

Escrevi muita bobagem aqui. Mas bobagens que fizeram parte de mim, e eu tenho que admitir isso. Hoje sou mais amargurada, confesso, e não tenho nem um pouco de orgulho dessa situação. Sigo em frente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dando notícia

É difícil. Ou como está na moda falar, é tenso. De uma hora pra outra (tem algo de imperceptível nisso) deve-se encarar a dura realidade de virar "gente grande". As minhas responsabilidades deixaram de ser fechar a janela no horário da malária. Eu fazia isso na casa do meu pai, e depois disso eu podia brincar. É uma pena que eu não tinha com quem fazer isso, mas enfim. Depois já foi algo muito sério voltar pra casa de ônibus, sozinha! Eu não podia esquecer o cartão, ou o dinheiro da passagem, ou perder o ônibus. Mas se eu perdesse, poderia ligar pra minha mãe, e mesmo levando umas broncas, conseguir uma carona de volta pra casa. Andar nas ruas à noite era raro, perigoso. Dinheiro era só o da mesada, pra comprar algum lanche na escola, no recreio. As roupas apareciam lavadas e passadas em cima da cama, as compras no armário (pelo menos antigamente era assim que funcionava, risos). Nada parecia ser tão fácil como realmente era. Acontece que se hoje eu perder o ônibus, a frase certa é: se fodeu, bróder ( e a gente aprende a usar uns palavrões também). Não adianta nem começar a pensar: não tem ninguém que você possa ligar. Preciso internalizar isso algumas vezes durante a semana. Recordo de momentos em que eu sabia que tinha que me virar sozinha, mas eu ligava pra minha mãe só pra dizer que eu tava ferrada. Agora eu já aprendi (de vez em quando ainda ligo pra um certo alguém que está sempre disposto, ou mesmo não estando, me ouve mesmo assim). Se vire, você já é maior de idade. Você ganha um salário, mesmo sendo esse salário um pedaço do salário do seu pai, hehe. Administre, arrume sua roupa, faça seus trabalhos, estude, aprenda. Incrível como você sempre tem que lembrar de absolutamente tudo. Uma pequena coisa é capaz de atrapalhar o seu dia inteiro. Só quebrando a cara pra não errar mais, e ainda assim não é o suficiente. Coisas simples como esquecer uma chave ou um papel estragam tudo que você planejou. E não há escape, não adianta chorar. A variedade de coisas a se fazer é imensa (variedade imensa é pleonasmo?). Já nem me lembro das coisas que me matei de estudar pra passar no vestibular. É preciso tirar um força lá do fundo pra não querer fugir disso. E até parece que tem como. O mais engraçado é que isso é natural, ou deveria ser, afinal todo mundo passa por isso. A cidade não para à noite... ninguém tem medo de andar por aí? Todos simplesmente passaram a fazer isso, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Curioso, pra não dizer engraçado, pra não dizer triste. Gente, e se o despertador não tocar? Minha mãe não vai ficar lá fora buzinando, me esperando. Eu vou chegar atrasada, eu vou levar falta, eu vou passar o dia todo me culpando por isso. E se minha sandália arrebentar no meio da rua? Ela não vai me buscar pra gente ir ali comprar uma havaiana. Achei até engraçado esse texto, a adolescente desesperada detected. Por favor não riam nem se preocupem, eu (não) vou me adaptar. E o não entre parênteses é só pra fazer alusão àquela música que eu ouvia quando tudo era mais fácil. Mas acho que melhora. Ah, se melhora. É bom, você vai ver. É o que todos dizem. Então vai lá doidona, anda de noite, atravessa a rua sozinha, ponha o óculos escuros e finja que está tudo bem e o mundo é seu.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Eu tenho fé na força do silêncio;

Cansada de ficar calada mas com preguiça de falar. Pronto, falei.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sabe, eu gostaria de ter um avô. Aquele velhinho cheio sabedoria, calmo e sereno. Imagino que sentaria em uma poltrona com perfume de lavanda, e passaria uma boa parte do tempo lendo um livro, com os olhos apertados através do óculos com lentes bem grossas. Eu poderia, então, ter esse lugar de paz para ir, essa fonte de conversas francas, sem cobranças e preocupações. Certamente ele teria uma profissão que agora não está mais na moda, e me ensinaria os segredos para que eu contasse aos meu filhos. Ah, ele também teria um rádio antigo, e eu passaria tardes inteiras ouvindo seus discos de vinil. Poderia saber tocar acordeon, mas eu queria mesmo é que tivesse música em seu coração e em tudo que fizéssemos juntos. A sua casa teria um jardim, cultivado com muito cuidado. Cada planta para cada amor vivido. Meu avô amaria, acima de tudo, a vida e cada minuto que Deus lhe concedesse. Teria as mãos calejadas e ao mesmo tempo macias, sempre dispostas a acariciar aqueles que precisam de atenção. Enfim. Foi legal pensar em você, vovô. Descanse em paz.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Fears of tears.

Nunca pensei que faria uma amizade relâmpago (literalmente) em aviões. Sempre lia essas histórias em revistas, contos, crônicas e achava que era só mais um arranjo de situações pra parecer legal. Ou sei lá, acontece mesmo, eu acho. Mas não comigo, e em um dia tão triste. Lenga-legas a parte, vamos a ela:

- Assento A é janela, né?
- É, janela.

(...)

- Tá um barulhão, né?
- É, um pouco estranho mesmo.

Atenção senhores passageiros, passaremos por um leve turbulência mais a frente. Yann Tiersen no mp4. Forte aperto na minha mão. Relâmpago. Tremedeira. Mais aperto. Coloquei minha mão gelada em cima da dela:

- Me ajuda, eu tô com medo.
- Calma, já vai passar.
- Ainda bem que você tá aqui comigo.

(...)

- Passou.
- Passou.
- Obrigada.
- De nada.


Não sei o nome dela, de verdade. Não é pra parecer mais poético nem nada. Sei que ela é casada há dois anos, dentista, uma filha, trabalha com saúde indígena, viaja uma vez por mês. Me deu um abraço e desejou boa sorte no vestibular. Ainda bem que você tá aqui comigo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

um pouco mais de sol

e eu era brasa. de repente isso me veio a cabeça, acho que é o calor que fez tanta falta mas agora não faz mais. estar em casa é estar em casa. tanta coisa muda mas nada fica diferente. vontade de ir ou ficar pra sempre. by the way, o futuro não é mais como era antigamente. um pouco mais de azul e eu era mais blue, simplesmente.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Baby, dont break, time breaks down;

Assim, sei lá. Tô cansada. O climax do meu dia passou a ser acompanhar o nascer e o pôr do sol, e é o momento mais sublime, apesar de sempre serem do lado contrário ao que estou indo e eu ter que virar o pescoço pra ver as nuvens mais rosas. Ultimamente tem estado muito frio, e por isso a parte do nascer está ficando mais rara de se ver. O ônibus nunca ficava cheio e eu podia dormir, agora além de não ver o sol tenho que ficar em pé torcendo pra alguém levantar até pelo menos a metade do caminho. São 20 a 25 minutos de ônibus, juntando a ida e a volta consigo dormir 1 hora a mais, somando 6 horas por dia, o que é pelo menos razoável. Tenho uma semana pra absorver muitas informações e relevar outras tantas. Deus me ajude. Quero ir pra casa.